Dear White People (Cara gente branca) e as subjetividades do povo preto.
De todas as séries criadas, nenhuma outra consegue expressar os sentimentos subjetivos, implícitos e explícitos de forma tão sensível quando "Cara Gente Branca", essa série trás inúmeros personagens que são protagonistas de um modo tão inteligente, tão específico que não há outro modo de descrever se não, uma das melhores já criadas até o momento.
Como dito, vários personagens são protagonistas e todos eles participam de forma ativa na construção do enredo, e em cada episódio tem um deles como protagonista, e para ser justo como a série foi, é nescessário explicar cada um deles em suas subjetividades para entender o quão profunda a narrativa pode ir e tocar cada um dos espectadores que tiveram ou terão a honra de poder assistir tal obra.
A história se passa na universidade de Winchester e tem como estopim da narrativa a Sam, personagem que cursa Cinema, uma das integrantes do Movimento Negro e que passa o tempo na rádio da universidade com um programa homônimo à série, cujo objetivo é em tese, se opor aos ataques que sua comunidade passa diariamente no campus, mas a maior questão que a aflige é o seu relacionamento controverso com o Gabe, um rapaz branco que tenta de algum modo se unir e a ajudar em sua causa.
Causa esta que teve como um dos seus principais integrantes o Raggie, completamente fora do estereótipo, um cara de corpo atlético que cursa Engenharia eletrônica e que não gosta de conflitos, teve sua vida marcada por conta de um acontecimento onde um dos guardas do Campus mira uma arma para ele de forma completamente injusta e desproporcional ao que havia ocorrido na ocasião, ele passou por um conflito emocional muito grande pois era apaixonado pela Sam que estava indisponível, enquanto havia uma pessoa espetacular gostando dele que era a Joelle.
A Joelle, estudante de Medicina que despensa comentários, um dos cursos mais elitistas da universidade, por ser uma preta retinta e muito bem consciente em suas questões raciais, diferente da Sam, mantinha seus problemas apenas no âmbito afetivo, pois sua carreira e sua autoestima estavam muito bem esclarecidas, em contrapartida, passou por alguns relacionamentos antes do Reggie e um deles foi com um rapaz com um pensamento radical sobre as pessoas brancas, o que à levou a uma reflexão muito importante sobre o movimento.
Também há o Leonard, um estudante de Jornalismo que passou muito tempo em conflito interno sobre sua sexualidade, por conta da pressão que se há sobre a masculinidade, e dentro de todos os estereótipos possíveis sobre a hipersexualização do corpo negro, ele passou muito tempo para entender como lidar com seu conflito até que com a ajuda de amigos conseguiu se resolver, mas o que mais se destaca no personagem é sua curiosidade, e habilidade narrativa que o permitiu descobrir a sociedade secreta, seguindo as pistas deixadas por integrantes, ele e Sam puderam conhecer a Ordem do X, o que nos leva ao Troy.
Troy, colega de quarto do Leonard com as características estereotipadas em todos os sentidos, de sexualização, masculinidade, liderança, mas que vivia num conflito familiar e interno muito grande pois vivia à sobra do seu pai que era Reitor da Universidade, é o personagem talvez mais complexo de se entender, por ser "bem nascido", tinha sempre em sua companhia inúmeras pessoas brancas e "de berço", mas que sempre o contaminavam com seus costumes e piadas racistas, o tornando um rapaz que sempre queria agradar a todos, gregos e troianos, junto com sua parceira - ao menos por um bom tempo - Colandrea a Coco, mas que em sua progressão, se tornou um rapaz muito sensível e que acabou se juntando ao Leonard para fundarem uma revista para a Universidade, contrariando o caminho que o pai desejava, mas se encontrando completamente.
A Colandrea era uma bolsista retinta que veio de uma família muito pobre e que só conseguiu chegar onde chegou por conta de uma instituição de caridade que bancou seus estudos e sua maior motivação é se tornar presidente dos EUA, ela seria a personagem feminina mais complexas, tendo participado de um Reality Show, se preocupava muito com sua imagem, e que fez diversos sacrifícios em sua vida, amorosa, pessoas, emocional e familiar para poder alçar seus objetivos, é um exemplo de força e de resiliência.
A história gira em torno do programa de Rádio da Sam que em dado momento passou a ser sabotado por um Stalker, tal persona fez com que a personagem passasse por uma crise de identidade e criativa muito forte, fazendo-a rever todas as suas perspectiva acerca do mundo e das pessoas, mas em meio tal crise que ela entendeu algo muito importante, que a fez gravar um documentário incrível que é o fato da vida acontecer no momento presente, e quando atento, é possível ver os momentos mais sublimes e belos que existem, a doce experiência do existir, e todas as suas subjetividades.















